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Três anos morando no Canadá: Nossa retrospectiva

Retrospectiva de tres anos morando no Canada.Vancouver.Viajadora

Dia 1° de janeiro de 2018 fez três anos que eu e Thiago desembarcamos no aeroporto de Vancouver com quatro malas, um monte de expectativas e nenhuma ideia do que nos esperava no Canadá. O tempo voou desde então, e há alguns dias estávamos conversando sobre tudo que nos aconteceu e como finalmente estamos nos sentindo mais adaptados agora e a vida aos poucos vai entrando nos trilhos. Essa conversa me fez repensar nossa trajetória até aqui e escrever esta retrospectiva dos nossos primeiros três anos morando no Canadá.

O texto ficou longo, mas pode ser interessante para quem ainda está na fase de planejamento querendo saber mais sobre como é a vida – de verdade – por aqui, ou acabou de chegar e está encarando os obstáculos que aparecem no começo e o tortuoso processo inicial de adaptação.

A dor de cortar laços e a felicidade de estar em um lugar novo

Até hoje sinto mal estar quando lembro do nosso último mês no Brasil e das últimas preparações para a vinda, quando eu estava extremamente estressada com tudo que precisava resolver (documentos, devolver o apartamento, arrumar as malas, etc) e a melancolia de me despedir de todo mundo e de lugares importantes na minha história. E isso sem falar nos pequenos imprevistos que deixaram tudo mais difícil, como o fato de a nossa viagem estar marcada para a noite de réveillon e o passaporte com o visto do Thiago só ser entregue pelos correios ao meio dia de 31/12, quando a gente já tinha perdido as esperanças e estava desesperado ligando para a Air Canada para tentar adiar o voo. (Nesse dia passei a ter certeza que milagres acontecem, mas também envelheci uns quatro anos!)

Com todo esse estresse, quando finalmente conseguimos sentar no avião, desligamos e dormimos que nem pedra. Chegamos em Vancouver bem dispostos, fazia sol e 2°C, e a primeira impressão ao nos hospedarmos num apartamento alugado por temporada no West End não podia ter sido melhor: que cidade linda, que país maravilhoso! Essa impressão seguiu pelos primeiros seis meses por aqui, naquela fase em que tudo é novidade e descoberta e a gente fica super animado e feliz com tudo. Não é a toa que dizem que você só sabe mesmo o que é viver num lugar quando passa pelo menos um ano lá, pra poder perceber a parte ruim também. Agora, depois de três anos e vários altos e baixos, entendo isso.

Primeira foto no nosso apartamento em Vancouver.Retrospectiva dos nossos tres anos morando no Canada.Viajadora
A primeira foto no nosso apartamento em Vancouver, no comecinho de 2015, logo depois de termos montado os móveis e nos ajeitado. O tempo passa muito rápido!

2015 – Primeiro ano: Novidades e muito estresse

Início da experiência no college

Além do deslumbramento inicial com a cidade e de conhecer um monte de gente nova, nosso primeiro ano em Vancouver foi marcado pelo início dos dois no college – eu estudando Marketing Management na Langara College e o Thiago, Game Programing no Art Institute. Foi legal estar em um college mais ou menos como a gente vê em filmes, mas ao mesmo tempo fiquei decepcionada com a minha turma e, depois, meio desesperada com o volume de trabalhos e provas que o curso exigia. Esse foi um dos fatores que fizeram o nosso primeiro ano no Canadá bem estressante pra mim, porque eu queria conhecer a cidade mas não tinha dinheiro e nem tempo, porque precisava ficar um tempão estudando estatística, contabilidade e outras coisas que eu achava um saco pra conseguir passar direitinho nas matérias. Pra ser sincera, não tenho saudade dessa época e fico aliviada que passou, mas entendo que fez parte do processo de adaptação aqui e acontece com outros brasileiros também.

Primeiro dia de aula na langara college vancouver.Retrospectiva dos nossos tres primeiros anos morando no Canada.Viajadora
Tirei esta foto quando estava chegando para o primeiro dia de aula na Langara College. Tantos sentimentos naquele dia! Parece que foi ontem, mas parece que foi há uns 10 anos também

(Escrevi mais sobre a minha experiência no college nos posts Estudar no Canadá: Primeiro mês na Langara College e minhas impressões e Pós-graduação na Langara College: Concluí meu curso no Canadá, e agora?)

Meu primeiro emprego no Canadá

Uma grande preocupação de quem vem estudar no Canadá é arrumar logo um emprego para trabalhar part time e, assim, ajudar a bancar as despesas do dia a dia. Eu tinha uma reserva e os rendimentos mensais de um apartamento alugado no Rio de Janeiro, então não senti tanto essa pressão e tive calma para escolher um emprego que fosse minimamente na minha área – o que faz uma diferença significativa na experiência canadense pra procurar outro emprego depois – e não exigisse muito de mim fisicamente. Foi assim que, uns quatro meses depois de começar no college, comecei a trabalhar com content marketing e gerenciamento de redes sociais para uma empresa de imigração em Vancouver. O salário por hora era bem abaixo da média na área e a maior parte do trabalho em português, mas foi ótimo para conseguir minha primeira experiência aqui e aprender bastante sobre imigração, além de ganhar um dinheirinho para ajudar nas despesas. Trabalhei full-time durante as férias de verão e depois reduzi minha carga horária para dez horas semanais durante a época de aulas, porque minha prioridade sempre foi me sair bem no college (algo que eu aconselho sempre, como expliquei neste post sobre como Como conseguir um emprego na sua área de estudos). No total, trabalhei lá por uns sete meses e valeu a pena.

Saudade da família e dos amigos

No começo foi muito estranho ver meus amigos fazendo as coisas que costumávamos fazer juntos e postando fotos no Facebook. Ver todo mundo na praia ou reunido na casa de alguém enquanto eu estava sozinha aqui na chuva me dava uma tristeza, um vazio. Mas com o tempo fui me acostumando, hoje sinto só saudade e vontade de encontrá-los, mas não mais tristeza (na maior parte do tempo, pelo menos). Na vida a gente se acostuma com tudo, e acaba vendo a parte boa da situação em que está também.

Saudade da familia e dos amigos quando a gente mora fora.Retrospectiva dos nossos tres anos morando no Canada.Viajadora
Quando a nossa amiga de infância, Patrícia, ficou grávida eu já estava morando no Canadá, então minhas amigas me “photoshoparam” pra eu não ficar de fora da foto. Tem vezes que a saudade dói muito, mas a gente se acostuma!

Já a saudade da minha família não foi tão dolorida porque meus pais vêm uma vez por ano para visitar, e a gente se fala pelo WhatsApp várias vezes por semana, então é como se estivessem mais perto. E agora que meu primo, que cresceu junto comigo, se mudou de Edmonton para Vancouver, sempre tenho aquela sensação confortável de estar perto da família.

Crise no nosso relacionamento

Quando eu e Thiago viemos para o Canadá a gente tinha meses de namoro só, e embora já estivesse morando junto no Brasil, nos desentendemos MUITO no nosso primeiro ano aqui. A gente brigava direto, se estressava com tudo e chegamos a passar mais de uma semana sem se falar e morando juntos, um terror. Atribuo isso a todo o estresse que a gente passou pra vir e ainda estávamos digerindo; ao fato de estarmos nos adaptando a morar em um apartamento minúsculo; ao estresse e o cansaço provocado pelo college dos dois; à necessidade de economizar muito em tudo, que nunca tínhamos tido; e às diferenças de expectativas dos dois no começo, em que, por exemplo, eu queria sair muito mais e conhecer tudo enquanto ele achava que a gente tinha que ir mais devagar.

Foi uma fase muito, muito ruim e em vários momentos eu cheguei a pensar que a gente ia acabar se separando, mas com paciência e persistência fomos nos adaptando e aprendendo a conviver melhor. Hoje, esse é um conselho que eu dou para os recém chegados: tenham muuuita paciência um com o outro e não esperem que o primeiro ano vá ser uma lua de mel, porque o recomeço em um lugar estranho costuma ser bem desafiador, ainda mais com todas essas pressões da imigração, falta de dinheiro, saudade de casa, necessidade de trabalhar em um emprego não tão legal, diferenças de expectativas, etc. O que eu posso dizer pela minha experiência é que melhora com o tempo!

Depressão

A depressão é um assunto bem pessoal que pouca gente fala por aqui, já que nas redes sociais a vida de quem mora no exterior sempre parece divertidíssima e super glamourosa, mas acho importante desmitificar isso porque é algo comum entre os recém chegados.

Por volta de junho do meu primeiro ano aqui, comecei a sentir uma tristeza horrível, uma sensação de morte mesmo, e não conseguia parar de chorar. Não tinha nenhuma razão específica para isso e eu não entendia por quê tudo me deixava tão triste, nada que eu gostava de fazer me alegrava mais e eu só fazia chorar e dormir o tempo todo, ainda mais porque era o início do verão e eu deveria era estar feliz com o calor e a alegria de todo mundo na rua.

Passei mais de três meses nesse sofrimento até que, um dia, em mais uma crise de choro, Thiago me mandou botar uma roupa porque a gente iria ao médico naquele momento mesmo procurar ajuda. Decidi parar de protestar e ir e foi a melhor coisa… Fui na walk-in clinic que eu sempre ia, chorei à beça com a médica e, no final, ela me disse que eles veem vários imigrantes com depressão, e me passou um remedinho para tomar toda noite. Em três semanas já estava me sentindo bem melhor, mais tranquila e normal, e desde então faço acompanhamento médico para monitorar e não deixar a depressão me abater de novo.

Isso foi algo que pesou muito no meu primeiro ano aqui, e se eu não tivesse procurado ajuda médica, provavelmente teria desistido e ido embora para o Brasil (e me arrependido pra sempre depois). Por isso eu sempre aconselho todo mundo aqui a procurar ajuda médica caso esteja sentindo uma tristeza que não passa e sem motivo aparente… pode mesmo ser o diferencial entre a sua experiência no Canadá ser um sucesso ou um fracasso.

Nosso primeiro ano morando no Canada foi cheio de altos e baixos.Retrospectiva dos nossos tres primeiros anos morando no Canada.Viajadora
Lembro de termos tirado essa foto no auge do período em que a gente mais brigava e eu estava começando a entrar em depressão. Pra mostrar que todo mundo parece muito feliz nas redes sociais!

Chegada da Chica

Apesar de tudo, nosso primeiro ano em Vancouver foi fechado com chave de ouro com a chegada da Chica, a Boston Terrier, em outubro de 2015. Nós já queríamos um cachorro há um tempão, então depois de muito ponderar, resolvemos finalmente adotar a Chica no final do ano. Acho que o Thiago topou porque achava que ia ser importante para ajudar no processo de recuperação da minha depressão, e estava certíssimo!

A Chica trouxe uma vida, uma alegria aqui pra casa que eu não sei nem explicar, foi como se tudo tivesse ficado mais iluminado, mais leve. Nós ficamos tão mais felizes, que isso até ajudou (muito) a melhorar nosso relacionamento. Com ela passamos a explorar mais a cidade, conhecemos os vizinhos com cachorro, rimos muito e eu nunca mais me senti sozinha, porque ela é muito companheira e parece mesmo que temos mais uma pessoa em casa. Nossas despesas aumentaram um pouco, mas valeu cada centavo: a chegada da Chica, pelo menos pra mim, foi uma das melhores coisas que nos aconteceram no Canadá e que fez muita diferença na nossa adaptação e, sem exagero, nos rumos da nossa vida aqui nos anos seguintes.

A chegada da Chica a Boston Terrier.Retrospectiva dos nossos tres anos morando no Canada.Viajadora
Chica filhotinha em seu primeiro passeio na Seawall. Como pode uma coisa tão pequenininha trazer tanto amor e alegria?!

2016 – Segundo ano: Nada de muito especial

Minha formatura na Langara College

Nosso segundo ano no Canadá foi um ano “meh”, quando apenas pequenas coisas importantes aconteceram e não fizemos nada de mais, em uma fase de transição e doidos para acabar a maratona dos colleges. Eu me formei em julho de 2016, depois de trabalhar os quatro meses do co-op. O alívio que senti e a felicidade de ir lá na Langara para pegar o meu diploma – sabendo que a maratona de testes e trabalhos tinha finalmente acabado – foi uma sensação maravilhosa! Foi menos de um ano e meio de curso, mas tão intenso e cansativo que às vezes eu tinha a sensação de que não ia acabar nunca. Mas tudo acaba, e foi muito bom me livrar desse compromisso, pegar meu visto de trabalho (PGWP) e finalmente poder trabalhar direito e ver o dinheiro entrar ao invés de só sair.

Enquanto isso, o coitado do Thiago ainda estava no segundo de três anos de curso, e também muito cansado e de saco cheio de estudar, mas seguindo em frente porque não tinha jeito, né!

Thais Freitas.Graduação em Marketing Management na Langara College.Vancouver.Viajadora
No dia da nossa formatura no curso de Marketing Management na Langara College. Ufa, parecia que não ia acabar nunca, mas acabou!

Meu primeiro emprego canadense de verdade

Para o meu co-op de conclusão de curso do college, arranjei um emprego como Communications Specialist em uma organização do governo de British Columbia, onde trabalho até hoje e sou funcionária pública. Meu primeiro emprego canadense acabou sendo bem melhor do que eu esperava, então esse sem dúvida foi um dos pontos altos do meu ano e algo pelo qual sou muito grata até hoje. Mas, junto com a alegria veio também bastante estresse, porque foi trabalhando com comunicação num pais de língua inglesa e com canadenses nativos que eu vi que não sabia tanto inglês quanto achava que sabia, e que teria que me esforçar e melhorar MUITO para ter um desempenho no mesmo nível dos nativos. Foi um exercício intenso de humildade e persistência, sobre o qual comentei no post 10 coisas que mudaram em mim depois que vim morar no Canadá.

Passei pelo menos os seis primeiros meses nesse emprego lutando pra me adaptar, me esforçando muito, recebendo uns feedbacks doídos (mas muito úteis) do meu chefe e colegas e literalmente perdendo o sono de preocupação. Foi só no final do ano que passei a sentir que meu inglês estava afiado mesmo pra trabalhar com comunicação aqui e a ficar mais confiante, e um momento que me marcou muito foi quando meu chefe me pediu pela primeira vez para revisar um texto que um jornalista canadense da equipe havia escrito, de igual para igual. Juro que nesse processo me apareceram muitos fios de cabelo branco, mas valeu a pena insistir. Aliás, acho que insistência é mesmo o segredo para o imigrante recém chegado lutando para se adaptar aqui!

Coisa que mudaram em mim quando comecei a trabalhar no Canadá.Viajadora.Vancouver
Levei um bom tempo para me adaptar no trabalho, e precisei passar a fazer um monte de coisa de um jeito diferente do que eu estava acostumada. Foi bem estressante!

O dinheiro, sempre ele

Nós decidimos que seria melhor o Thiago não trabalhar durante o college para que pudesse se dedicar ao máximo ao projeto de mudança de carreira. Então foi o meu salário sozinho que bancou nossas despesas no segundo ano aqui, e aí praticamente não sobrava dinheiro para fazer mais nada, tipo viajar e passear, as coisas que eu mais amo (e me dava uma tristeza danada isso). Eu nunca tinha vivido tão preocupada com dinheiro antes (tinha uma situação bem mais confortável no Brasil) e sem conseguir juntar praticamente nada, então isso foi algo que me preocupou e estressou muito, e que aflige praticamente todos os novos imigrantes em algum momento. Dizem que dinheiro não traz felicidade, mas a falta dele traz muuuito aborrecimento, caraca! De alívio, a perspectiva de saber que isso acabaria logo, assim que o Thiago se formasse e começasse a trabalhar também, mas foi uma barra bem pesada enquanto durou.

As visitas da família e amigos

Em fevereiro a Mari e o Diogo vieram nos visitar, e eu fiquei muito feliz em encontrá-los em Vancouver! Em outubro foi a vez dos meus pais visitarem pela segunda vez, e já sem a depressão (ela estava no auge da primeira vez que eles vieram), pude aproveitar muito mais a presença deles por aqui.

A gente se divertiu à beça, passeou, conheceu vários lugares legais e, pra mim,foi um ótimo jeito não só de matar a saudade como de relaxar e esquecer os problemas um pouco.

Retrospectiva dos nossos tres anos morando no Canada.Recebendo a visita dos amigos.Viajadora em Vancouver
Com a Mari e o Diogo em Whistler. Muito snowboarding, muita diversão e um ótimo jeito de matar a saudade e distrair a cabeça das dificuldades do dia a dia!

O convite da imigração

No dia 26/12/2016 recebemos o presente de natal que mais queríamos: o ITA, o convite para imigrar pelo Express Entry. Fomos selecionados com 480 pontos, e se não me engano a nota de corte foi por volta dos 460. Receber essa notícia por email da nossa consultoria de imigração nos trouxe um alívio muito grande, nos encheu de esperança e deu a certeza de que nosso terceiro ano aqui já iria começar muito bem!

2017 – Terceiro ano: Sensação de que as coisas finalmente começaram a acontecer

Voltei ao Brasil pela primeira vez

Abril de 2017 foi quando finalmente voltei ao Brasil depois de dois anos e meio. Eu estava muito ansiosa sobre como seria, se iria estranhar muito, se ia ser estranho reencontrar os amigos, e por aí vai. Quando cheguei no Rio, a surpresa: foi como se eu nunca tivesse saído! Me senti totalmente em casa, super à vontade, e foi aí que vi como eu estava morrendo de saudade de tudo e todos! E fiquei muito feliz de constatar que, quando se tem amigos de verdade, não importa o tempo que a gente fica longe, quando se reencontra é como se nunca tivesse se separado, e isso foi muito reconfortante.

Visitando o Brasil pela primeira vez depois de quase 3 anos morando no Canada.Viajadora
A saudade que eu estava de pegar uma praia com meus amigos queridos… não tinha como não voltar pro Canadá com outro gás depois!

Mas mesmo tendo amado minhas três semanas na terrinha, essa viagem também me fez perceber que, apesar de sentir saudade, já não via mais o Brasil como minha casa, então não foi sofrido voltar pro Canadá, até porque o Thiago e a Chica tinham ficado e eu estava com muita saudade. Voltei com o coração tranquilo, com mais gás pra seguir a vida aqui, e a certeza de que, onde quer que estivesse, estaria em casa e cercada de pessoas que eu amo e tudo daria certo. Acho que isso fez a maior diferença para o meu resto do ano ser melhor também!

Engravidei

Como contei no post sobre o que consideramos para engravidar no Canadá, em março de 2017 eu parei de tomar anticoncepcional e engravidei em maio. O bebê está previsto para fevereiro de 2018 e estar grávida tem sido uma experiência bem esquisita. Eu tenho a sensação de estar grávida já há uns três anos, mas ainda não caiu a ficha de que vem mesmo um pequeno ser humano por aí! Fora todo esse processo maluco na minha cabeça, foi interessante viver essa experiência da gravidez durante 2017, e tudo correu da melhor forma possível usando o sistema de saúde canadense (até agora pelo menos! rs).

Viramos residentes permanentes

Em junho saiu nossa documentação da imigração e em julho fizemos nossa mudança de status para residentes permanentes na fronteira. Foi quando finalmente pudemos respirar aliviados e certos de que o processo de imigração estava concluído. Foi um alívio que eu não sei nem descrever, a gente passou os dois primeiros anos aqui tão preocupados se ia dar tudo certo, tiramos um peso enooorme das costas!

Nossa mudança de status para residentes permanentes na fronteira com o Canada.Viajadora
Logo depois de fazermos a mudança de status para residentes permanentes na fronteira do Canadá com os EUA. Que alívio!

Thiago se formou e começou a trabalhar

Thiago passou o começo do ano todo reclamando diariamente que não aguentava mais o college (e eu não aguentava mais ele reclamando! haha), então também ficamos extremamente aliviados quando ele finalmente concluiu o curso de graduação em Game Programming no Art Institute em setembro. E para melhorar, ele ainda recebeu a proposta de emprego para o game studio que ele mais queria apenas três dias depois da conclusão do curso. Agora finalmente voltaríamos a ter duas rendas e eu não ia mais precisar viver apavorada com medo de o dinheiro acabar e a gente virar homeless! Sério, me senti como se tivesse ganhado na loteria! hahaha

Mudamos para New Westminster

Com nosso bebê humano chegando e nossa bebê canina muito espaçosa e bagunceira, o apartamento quarto e sala que a gente morava em Yaletown ficou muito apertado (tem fotos dele neste post), e aí surgiu a necessidade de mudar para um lugar maior e mais afastado de downtown. Acabou que achamos rapidinho uma townhouse de três quartos recém-construída em New Westminster – pra quem não conhece, uma cidadezinha a 25 minutos de skytrain de Vancouver – e mudamos pra lá em dezembro. Eu resisti sair de downtown por muito tempo, mas hoje quando penso nisso me arrependo de não ter saído antes… nos arredores da cidade os preços de tudo são muito melhores, o skytrain funciona super bem e a vida é bem mais tranquila. Gostamos muito da casa nova e do espaço extra, eu estava me sentindo totalmente sufocada no outro apartamento, e morar em New West e trabalhar em Vancouver está sendo bem melhor e mais fácil do que eu imaginava, e estamos bem mais felizes aqui.

No dia em que pegamos as chaves da townhouse que alugamos em New Westminster.Retrospectiva dos nosso tres anos morando no Canada.Viajadora
Em um dia chuvoso de novembro de 2017, quando pegamos a chave da nossa nova casinha em New Westminster

Compramos um carro

Com o bebê e a mudança, finalmente chegou a justificativa de comprarmos um carro, uma das coisas que eu mais sentia falta desde que cheguei aqui. Isso porque, por mais que dê pra ir de transporte público para a maioria dos lugares importantes, a gente acabava ficando super limitado quando queria fazer alguma coisa mais legal, como ir fazer uma trilha em algum lugar remoto, viajar no fim de semana, levar a Chica para algum lugar, ou mesmo ir em algum supermercado longe de casa e voltar com as compras. Com o carro a sensação é de que um mundo de possibilidades se abriu, e eu já estou toda empolgada vendo todos os lugares que eu quero visitar agora e não conseguia antes! Mas tendo dito isso, acho que foi muito importante esperarmos esse tempo para comprar o carro, porque o seguro e demais despesas são significativas e teria sido impossível pra gente manter tudo com uma renda só (ou nenhuma) como foi no nosso começo aqui: é algo que tem de ser muito bem planejado!

Chica ficou mais calma

Parece besteira, mas no primeiro ano da Chica, apesar de ter trazido muita alegria pra gente, ela também quase nos enlouqueceu, porque tinha uma energia interminável (pensem num diabo da Tasmânia depois de tomar três latas de Redbull) impossível de controlar. Ela destruiu nossos móveis, comeu as paredes do apartamento (!) e mordia e arranhava a gente o tempo todo querendo brincar, ao ponto de eu ir ao médico e ele perguntar se eu usava drogas injetáveis depois de ver meu braço todo machucado (e eram só mordidas e arranhões da Chica!). Em 2017 ela completou dois anos e gradualmente ficou bem mais tranquila e comportada , o que facilitou muito a nossa vida por aqui. Paramos de apanhar, compramos um sofá novo, podemos ficar sossegados em casa agora, já temos certeza de que ela não vai comer o irmão humano… Só coisa boa! Isso mostra que até as pequenas coisas fazem muita diferença quando a gente está passando pelo processo de adaptação em um lugar tão novo e diferente.

Antes e depois do Boston Terrier Chica.Retrospectiva dos 3 anos de Canadá.Viajadora
O antes e depois da Chica! Virou uma mocinha, bem mais calma, e facilitou muito a nossa vida em 2017

O que aprendemos nesses três anos morando no Canadá

Se você teve saco de ler este texto gigante até aqui, deve ter percebido que são duas as palavras-chave para quem imigra para um pais tão diferente como o Canadá: paciência e perseverança.

O primeiro ano costuma ser o mais difícil mesmo, mas aos poucos a gente vai se adaptando e tudo vai melhorando. Aconteceu com a gente e com praticamente todos os outros imigrantes brasileiros que conhecemos aqui! Então quando tudo estiver parecendo muito difícil/cansativo/chato/solitário, respire fundo, tire uma soneca se der (eu sempre acordo mais bem humorada), vá dar uma voltinha em algum lugar bonito (felizmente é o que não falta por aqui!) e, acima de tudo, tenha calma e pense que amanhã é outro dia.

Vá levando um dia depois do outro e quando você se der conta, o tempo passou, o college acabou, você arrumou um emprego, o convite da imigração saiu e sua vida no exterior já se tornou a sua vida de verdade, com todos os seus altos e baixos que fazem o nosso tempo aqui na Terra valer a pena. É isso que tenho aprendido na minha experiência no Canadá, e sei que ainda tenho muito mais aprender e viver por aqui, porque o mundo não para de rodar… Ainda bem!


Confira outros posts sobre a vida no Canadá:

10 coisas que mudaram em mim desde que vim morar no Canadá

Será que morar no Canadá é pra você?

Engravidar no Canadá: O que consideramos para decidir

Pré-natal no Canadá: Primeiro trimestre da gravidez em Vancouver

Como é fazer o landing como residente permanente em Point Roberts, BC

Emprego no Canadá: Como conseguir um na sua área de estudos

10 coisas (muito) boas de se morar em Vancouver

Quanto custa morar em Vancouver para um casal sem filhos

Como é voar Air Canada e passar pela imigração em Toronto

Marketing Management na Langara College: Primeiro mês de aula e minhas impressões

Checklist: O que resolver no Brasil antes de ir morar fora

Passo a passo para fazer college no Canadá: Como se matricular e tirar o visto de estudante

Pós-graduação na Langara College: Concluí meu curso no Canadá, e agora?

31 conselhos e dicas para quem vai estudar na Langara College

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6 comentários

  1. Excelente relato, Thaís! O texto é tão fluido que nem parece longo. Pelo contrário. Deu vontade de sair lendo mais! Quanto à história de vocês, parabéns por tudo o que aconteceu desde a tomada de decisão, ainda no Brasil, a força para encarar a adaptação turbulenta, especialmente no primeiro ano, e tudo o que veio depois.
    É muito inspirador para minha esposa e eu. Nós decidimos, há 3 anos, também imigrar para o Canadá. A diferença é que optamos por aplicar para o PR daqui mesmo, do Brasil. E depois da longa espera, é com o PR que finalmente chegaremos, em abril, a Toronto.
    Guardadas as diferenças, enfrento mudanças profissionais similares às suas. Sou formado em comunicação social, habilitação em jornalismo, e por mais de dez anos atuei em uma redação. Mas no Canadá pretendo atuar do outro lado do balcão, na área corporativa. Apliquei para dois MBAs que têm especialização em marketing e, se não entrar, pretendo fazer uma pós-graduação em marketing management, como você fez.
    Ter o PR dá certa tranquilidade. Mas não evita toda a ansiedade com a esperada contagem regressiva e esse frio na barriga que dá ao pensar em tudo o que está por vir.
    Por tudo isso, repito, é tão inspirador ver seu relato. Incl

    1. (Continuando) inclusive* pelas lições nesses momentos mais tensos. De novo, parabéns e muito mais sucesso e felicidades para vocês!

  2. Olá querida!!!
    Adoreiiii seu texto, excelente explicação, bem colocadas as palaves, adorei a Chica, concordo contigo, esses bichinhos fazem muiiiiita diferença nas nossas vidas, eu também tive depressão, ganhei uma maltês do meu marido, e tudo mudou, como não amar né?!
    Parabéns pelos 3 anos, todo começo é difícil mas no final tudo valeu a pena!
    Estamos planejando nosso processo, o tão sonhado sonho canadense!
    Abraços! Bjuuus

  3. Thais, obrigada pelo lindo texto. Não acredito no acaso, e realmente estava precisando muito desta leitura, ou melhor dizendo, incentivo. Moro em Toronto a 1 ano e 2 meses. Me identifiquei com quase tudo, a única diferença é que sou solteira e vim sozinha, então, não tenho com quem brigar (hahaha), mas tbm não tenho com quem dividir os desafios e a parte financeira… Mas, enfim, minhas aulas do College estão acabando e espero logo conseguir um bom emprego (para a experiência canadense). E rumo ao segundo ano, com paciência, perseverança e fé. Mais uma vez, muito obrigada.

  4. Se eu tive paciência pra ler até o final? aaah.. ficaria horas lendo!
    Começo um caminho igual ao seu esse ano (college começa no final do ano, medo!), e não vejo a hora de poder escrever um texto igual ao seu, com tudo “resolvido”, encaminhado..
    Mas a certeza é de que tudo passa.. e aqui sigo um dia de cada vez! Obrigada pelo seu blog.. sempre me ajudou mto!!

  5. Adoro seus textos e a forma como voce escreve Thais! Estou indo para o meu 2 ano aqui e eh isso que voce falou mesmo.. PACIÊNCIA que tudo se acalma!
    abracos

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