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Pré-natal no Canadá: Terceiro trimestre da gravidez em Vancouver

Terceiro trimestre da gravidez em Vancouver.Thais gravida de 9 meses.Viajadora

Gente, meu filho nasceu em 24 de fevereiro – prometo que mostro o guri e conto como foi o parto no próximo post! – e eu estou toda enrolada, mas finalmente arranjei o tempo e a energia necessários para escrever sobre meu terceiro trimestre da gravidez em Vancouver. Aí vai:

 As mudanças no corpo e nos sentimentos

Depois da 20ª semana de gravidez (5 meses), minha barriga deslanchou e ficou gigante, dura  e muito desconfortável. Até que eu achei bonitinha, mas não via a hora de parir logo e me livrar dela… foi quando descobri que o terceiro trimestre da gravidez leva aproximadamente quatro anos pra passar, que sofrimento! A barriga apertou o meu pulmão e me deixou totalmente sem fôlego, eu não conseguia dormir em posição nenhuma, precisava fazer xixi a cada dois minutos e tinha muita azia e queimação, além de voltar a vomitar frequentemente. Isso tudo foi um saco, mas a parte divertida é que o bebê mexia muito e dava pra sentir direitinho, muito legal!

Já os sentimentos ficaram bem mais equilibrados com o remédio para depressão que comecei a tomar no segundo trimestre, apesar de a ansiedade e o medo do parto terem crescido conforme o final se aproximava (mas imagino que toda grávida passe por isso, né). Como a barrigona me deixava desconfortável e cansada, isso acabava interferindo no meu humor e me deixando meio irritada e desanimada às vezes, mas nada fora do normal.

20 30 e 40 semanas de gravidez.Terceiro trimestre da gravidez em Vancouver.Viajadora
A evolução da barriga, com 20, 30 e 40 semanas, dois dias antes de eu entrar em trabalho de parto. Uma coisa que eu odiei é que minha bochecha cresceu junto com a pança! haha

Exames e procedimentos médicos do terceiro trimestre da gravidez no Canadá

A data que os médicos preveem para o parto é quando se completam 40 semanas de gravidez (a minha era 20 de fevereiro). No entanto, o bebê já pode nascer a partir da 37ª semana sem ser considerado prematuro, ou até duas semanas depois da data prevista, sem problemas. Enquanto no primeiro e segundo trimestres a consulta com o médico de família é mensal, a partir da 30ª semana passa a ser a cada duas semanas, e depois da 36ª, semanal, até o nascimento. São consultas bem rápidas: o médico mede a pressão sanguínea, apalpa e mede o tamanho da barriga, ouve os batimentos cardíacos do bebê e pergunta como a gestante está.

Além da avaliação de rotina das consultas, a médica pediu os seguintes exames:

Ultrassom das 30 semanas – A regra no Canadá é a gestante fazer um ultrassom na 9ª e outro na 20ª semana, mas o médico ou doula pode solicitar mais um se achar necessário. No meu caso, ela queria confirmar se o bebê já estava de cabeça pra baixo, já que não conseguiu sentir só apalpando. Esse exame foi mais rápido que o da 20ª semana, e eu fiz no St. Paul’s Hospital também.

Exame da bactéria streptococcus B – No consultório mesmo, o médico passa um cotonete na vagina e no ânus da gestante para recolher uma amostra que identificará a existência da bactéria streptococcus B, que é comum no sistema reprodutivo mas pode causar complicações no parto. Se o exame der negativo, não precisa fazer nada, se positivo, será administrado um antibiótico na hora do parto.

Contagem dos movimentos do feto – Lá pela 30ª semana, a médica avisou que era hora de começar a contar os movimentos do feto: eu deveria sentir pelo menos seis movimentos em uma hora. Caso não sentisse, era para ligar para o hospital. Eu nunca contei muito, mas um dia, bem no último mês, achei que o bebê não estava se mexendo e fui para o BC Women’s Hospital, onde seria o meu parto, para checar. Lá me conectaram num aparelho para monitorar os movimentos e batimentos cardíacos, aí o pequeno voltou a se mexer e em uma hora eu estava liberada para voltar pra casa.

Aguardando no BC Women’s Hospital enquanto monitoravam os movimentos e batimentos cardíacos do bebê

Além dos exames acima, quando eu estava completando 40 semanas a médica perguntou se eu queria que ela fizesse o descolamento da membrana (membrane sweeping), um procedimento manual parra induzir o parto sem medicação. Ele é feito  quando a gestante já está com alguma dilatação, e a médica usa o dedo para descolar a bolsa amniótica, estimulando o corpo a entrar em trabalho de parto. Como eu já não aguentava mais esperar, aceitei, e no dia 22 de fevereiro ela fez o procedimento, que doeu mas funcionou: comecei a ter contrações na mesma noite e, dois dias depois, meu filho nasceu. Se você estiver grávida e doida pra parir logo, vale a pena aceitar o procedimento!

Adaptando nossa vida para a chegada do bebê

Passei o primeiro e o segundo em negação, mas no terceiro trimestre da gravidez não deu mais para fugir, então começamos a ajeitar a casa e o enxoval do bebê. Eis o que fizemos:

Mudamos de Vancouver para New Westminster – Ia ser muito apertado acomodar o bebê no apartamento em que morávamos, então decidimos mudar para uma das cidades próximas, onde poderíamos alugar um lugar maior por um valor melhor do que em Vancouver. Achamos uma townhouse de três quartos recém-construída em New Westminster, a 25 minutos de metrô de Vancouver, e mudamos no início de dezembro. Melhor decisão, tinha esquecido como era viver com espaço! Alugamos um caminhãozinho do U-Haul e caixas da Frogbox, e eu, Thiago e meu primo fizemos a mudança sozinhos… economizamos um pouco, mas que canseira carregar peso o dia inteiro com uma pança de oito meses, não recomendo! haha

Arrumando a mudanca no terceiro trimestre da gravidez.Viajadora Vancouver Canada.
O caos de arrumar a mudança… com uma barrigona foi pior ainda!

Compramos um carro –  Com o bebê e a mudança para um lugar mais distante, finalmente decidimos comprar um carro para facilitar as coisas. Queríamos pegar um novo, aí aproveitamos as promoções de fim de ano para fazer um financiamento com 0% de juros, que achamos valer bem a pena.

Arrumamos o enxoval e tudo que precisaríamos –  Eu não tinha absolutamente nenhum conhecimento sobre coisas de bebê, então fiquei muito feliz quando a mãe do Thiago nos enviou do Brasil uma caixa com roupinhas feitas por ela e boa parte do que um bebê precisa, como paninhos de boca e mantinhas. O berço e as outras coisas que faltavam, como pomada para assaduras, fraldas, capa impermeável e toalhas, por exemplo, comprei na Amazon depois que a Mari entrou na minha conta e botou tudo que ela achava necessário no carrinho, super prático! haha Com as roupinhas também dei muita sorte: ganhei quase tudo de presente de familiares e amigos, e muitas coisas usadas em ótimo estado de mães que estavam doando em grupos do Facebook as roupas que não cabiam mais em seus filhos. Acho ótimo isso de doação de coisas de bebê – grande economia de dinheiro e recursos naturais – e vou definitivamente doar as minhas também quando o meu não estiver usando mais.

Roupas de bebe.Terceiro trimestre da gravidez em Vancouver.Viajadora
Uma vizinha com dois filhos gêmeos de um ano doou pra gente um montão de roupas que não cabiam mais neles. Com essas e mais os presentes que ganhamos da família e amigos, não vamos precisar comprar nada por um bom tempo!

Entrei de licença maternidade – Meu último dia de trabalho foi 26 de janeiro, porque eu estava muito esgotada e queria passar as semanas finais descansando em casa. Quando o dia finalmente chegou eu fiquei super aliviada, mas também surpreendentemente triste e com saudade dos meus colegas. Acho que faz parte, né? Agora, uma dica para quem for entrar de licença aqui: não deixe de checar com o RH do seu trabalho se enviaram todos os seus documentos para o governo. Houve um erro no meu trabalho e com isso meu primeiro pagamento atrasou DOIS meses… eu já estava achando que ia virar sem teto aqui quando finalmente enviaram meu documento direito e recebi meu dinheiro!

Meus pais vieram para o Canadá – No final de janeiro meus pais chegaram para passar quatro meses com a gente e ajudar no pós-parto e com o bebê. Melhor coisa! Eles têm me ajudado tanto, fico só imaginando como teria sido estressante pra mim e pro Thiago sem eles aqui… dá agonia só de pensar!

A reta final da gravidez e a preparação para o parto

Na 36ª semana, peguei uma gripe terrível, com nariz entupido, garganta inflamada e febre, e a médica só me liberou para tomar paracetamol e pingar uma solução salina no nariz. Há anos eu não ficava tão acabada com uma gripe – uns 10 dias. É nessas horas que a gente vê como é bom poder tomar qualquer remédio, e como isso faz falta durante a gravidez!

A verdade é que no terceiro trimestre eu estava tão pesada (engordei 10,5 kg no total) e esgotada, que qualquer esforço – como calçar um sapato ou subir um lance de escadas – me deixava exausta, e isso só foi se intensificando conforme o parto se aproximava. No final, eu estava passando a maior parte do tempo descansando em casa, no máximo indo dar uma caminhadinha no parque nos dias em que eu me sentia especialmente disposta.

Como o bebê pode nascer a partir da 37ª semana, é importante ficar com tudo pronto para ir para o hospital a qualquer momento, e deixar a bolsa de maternidade arrumada é imprescindível.

O que eu coloquei na minha bolsa de maternidade:

Para mim: Chinelo, escova e pasta de dente, dois tops para ficar no hospital, uma roupa completa para sair do hospital (sutiã, calcinha, blusa, calça jeans, meia, tênis), shampoo e condicionador

Para o bebê: Um macacãozinho, casaco, meias, gorro e dois cobertores para sair da maternidade

Para o Thiago (acompanhante): Chinelo, escova de dente, uma calça e uma blusa de dormir, uma calça e duas camisas para passar o dia, cinco cuecas e três meias

Minha última foto grávida.Terceiro trimestre da gravidez em Vancouver.Viajadora
Esta foto tem valor sentimental pra mim: é a minha última foto grávida, que eu tirei quando já estava em trabalho de parto e saindo para o hospital (olhando assim nem parece que eu estava tendo umas contrações terríveis a cada 4 minutos, né! haha)

Bem menos coisas do que indicam levar no Brasil, mas foi suficiente, porque os hospitais no Canadá dão absorventes, fraldas e calcinhas descartáveis, e os bebês ficam só de fralda e enrolados em um paninho. Eu passei o tempo todo usando a camisola do hospital e não senti falta de nada. A única coisa que eu faria diferente hoje seria levar alguns lanchinhos, já que eu sentia muita fome entre uma refeição e outra e a lanchonete do BC Women’s Hospital fica distante da maternidade, além de não ficar aberta 24 horas.

Além da bolsa da maternidade, também é preciso instalar a cadeirinha no carro e levar o bebê conforto para o dia em que você for sair do hospital levando o pequeno para casa. Eles inclusive perguntam sobre isso no hospital, já que é proibido que bebês andem de carro sem cadeirinha aqui. Se você não tem carro, precisará providenciar um taxi ou uma carona que tenham a cadeirinha.

Outro ponto importante é ter o telefone da equipe médica sempre à mão, já que é preciso ligar para lá e falar com o médico de plantão antes de ir para o hospital. Dependendo do que você estiver sentindo, ele vai analisar se precisa ir para o hospital ou se pode ficar em casa para monitorar a situação. É o caso da frequência das contrações e movimentos do feto, por exemplo. Lembre de pedir para o seu médico ou doula o número para onde ligar nesses casos, já que não adianta ligar só para o telefone geral do hospital (eles pedem algumas informações específicas).

No mais, foi só aguardar a hora do parto mesmo, em uma espera que parecia não ter fim. Pra falar a verdade, passei o terceiro trimestre todo ainda sem ter caído a ficha de que vinha mesmo um bebê por aí, era como se eu estivesse só gorda e indisposta mesmo – isso só mudou quando botaram o recém-nascido em cima de mim depois do parto, mas isso é assunto pro próximo post!


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Engravidar no Canadá: O que consideramos para decidir
Pré-natal no Canadá: Primeiro trimestre da gravidez em Vancouver
Pré-natal no Canadá: Segundo trimestre da gravidez em Vancouver
Três anos morando no Canadá: Nossa retrospectiva
Tem mais gente (e novidades) chegando no Viajadora!

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