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Dicas para viajar com seus avós (com relatos de Paris!)

marcella e deda paris viajar com seus avós

Dia 26/07 é Dia dos Avós e, aproveitando a data, resolvemos falar aqui sobre algo que estamos notando e achamos um barato: o aumento do número de netos que viajam com seus avós – por livre e espontânea vontade!

Ficamos sabendo há alguns dias das histórias de netos de várias idades que combinaram viagens com seus avós, e não era só para beber água medicinal em São Lourenço não, hein! Soubemos de avós e netos que fizeram cruzeiros para o Nordeste, passearam pelo Caribe, mochilaram pela Europa e até pela Ásia, veja só.

Uma dessas netas sortudas foi a Marcella Sarubi, minha amiga que foi conhecer Paris com sua mãe, Sonia, e sua avó, Dedinha. E agora, fez um post para o Viajadora contando sua experiência e dando dicas quem também está pensando em viajar com seus avós. Quem sabe você não se anima e leva os seus velhinhos para dar umas voltinhas pelo mundo?

Então diz aí, Marcella, como foi a experiência e os cuidados que é preciso ter para viajar com os avós:

Em Paris com a minha avó

Conhecer Paris sempre foi um sonho para nós três: eu, minha mãe e minha avó. Em 2011, tivemos a oportunidade de viajar para lá juntas. Edina, minha avó, apelidada por nós de Dedinha, estava com 74 anos de pura inquietação. Vigor e disposição definem a senhora que é minha avó, frequentadora diária da academia, e muito animada. Essa não seria sua primeira viagem internacional. Por tudo isso, sabíamos que a maratona turística, um pouco adaptada, não seria problema para ela.

Fechamos um pacote que incluía só as passagens e hospedagens. Nada desses pacotes turísticos com ônibus ou vans fretados. Com a grana para a viagem limitada, nossa proposta era fazer os roteiros turísticos todos a pé quando possível e de metrô ou trem quando necessário. Nosso roteiro foi feito com base nas dicas de um conhecido que morou lá. No mais, era aquele básico de Paris: Torre Eiffel, Louvre, Sena…

viajar com seus avós Marcella e sua avó felizes e sorridentes nos jardins que ficam depois da ponte Alexandre III
Marcella e sua avó felizes e sorridentes em Paris

Filas preferenciais, prioridade ou acessibilidade para idosos

Embarcamos. Nossa conexão foi em Portugal. A imigração, como se sabe, é um lugar onde todo mundo que não tem um passaporte europeu fica na mesma fila, sem distinção de idade. Tanto na ida quanto na volta, ficamos DUAS horas em pé na fila para ter os vistos e passaportes liberados. Não havia bancos por perto, nem, claro, filas preferenciais ou prioridade para idosos. Se eu estava morta depois de um voo de nove horas sem dormir direito, imagina ela. Mas não tinha jeito, ficamos, embarcamos de novo e, em uma hora e meia, chegamos a Paris.

Pelos caminhos do metrô de Paris

Em Paris, de fato, não há prioridade para idosos: a coisa não parece ser muito planejada pensando na mobilidade da terceira idade. O metrô, por exemplo, apesar de ser um dos mais eficientes do mundo, cresceu no melhor estilo “puxadinho”. Anda-se para lá e para cá sem lógica alguma para chegar aonde se quer ir, em uma das 12 linhas (quase o Rio de Janeiro, que tem duas apenas rs). E lá ia Dedinha, a todo lugar, guiada pela malha subterrânea parisiense.

Além das longas e desordenadas distâncias por dentro das estações do metrô, reza a lenda, e algumas placas, que há elevadores dentro das estações Não vimos um, sequer. Só escadas; em uma, especificamente, havia uma placa do tipo “cuidado noventa e poucos degraus”. A gente leu, riu, encheu os pulmões e acompanhou a Deda nos degraus, parando às vezes, até a chegada (principalmente minha mãe, que ficava mais encarregada desse suporte, enquanto eu estava preocupada em sair do buraco certo do metrô, pegar os caminhos certos e cuidar para que não nos perdêssemos).

Dentro dos metrôs, ninguém levantava para ela sentar. Mas, na maioria das vezes, havia lugares vagos. E, o visual era tão lindo passando pelos pontos turísticos, que ela aguentava com louvor!

Deda merecia uma medalha por mérito. Andou Paris toda de metrô e a pé, como uma garotinha. Claro que o ritmo não era o mesmo se fossemos só eu e minha mãe, e isso era programado e planejado. Mas em momento nenhum faltou paciência com a diferença de ritmos. O cansaço, quando batia, era o normal da viagem e atingia as três.

Na Torre Eiffel, leve seu banquinho

Duas horas de fila desordenada. Ficávamos nos revezando, eu e minha mãe, enquanto a vó ficava num dos banquinhos próximos, embaixo da Torre. E assim, subimos. Deda ficou encantada. Adorou ver a Cidade Luz de lá de cima e pegamos justamente o pôr-do-sol. Tiramos muitas fotos dela divando por lá. Foi realmente um momento de encantamento e, quando descemos, justamente na hora, as luzes da Torre foram ligadas e conseguimos mais este lindo registro.

Minha mãe e minha avó viajando em Paris na Torre Eiffel
Sonia e Deda, mãe e avó de Marcella, na Torre Eiffel iluminada

Programas e roteiros para cada idade

Com relação aos programas e roteiros, de fato, a diferença de idade se faz presente. Os mais tradicionais, como Torre Eiffel, Igrejas, Museu do Louvre e o passeio no Sena (a Deda ADOROU esse passeio através das águas do Sena, num barco cópia do Bateau Mouche), claro, eram unanimidade. Programas mais descolados, como contemplar a vida corriqueira dos locais sentada num café, visita a lugares boêmios e da moda e livrarias escondidas não faziam parte do roteiro comum.

Se você viaja com pessoas que não são fluentes na língua local nem em outra língua alternativa, como o inglês, e, quando essa pessoa é sua avó, você acaba tendo que participar de todos os programas, nem que seja para ser intérprete, sem opção de largá-las um pouco sozinhas e fazer o seu próprio roteiro.

Viajar com seus avós no Jardins do Carrossel Paris
Mãe e avó relaxando nos Jardins do Carrossel, em Paris
Vovó comendo sanduíche de baquete em Paris
Dona Deda se deliciando com um super sanduíche baquete, em um restaurante próximo ao Pompidou, e Marcella dando uma ajudinha 😉

Roteiros mais elaborados e distantes: preparação extra!

Apesar de a maioria dos roteiros ter sido feita com tranquilidade, acho que uma dica importante para quem viaja com pessoas da “melhor idade” é que, lugares muito distantes, com pouco conforto, de caminhadas longas, exigem preparação extra. Aconteceu em Versailles, onde realmente houve uma hora em que precisamos colocar a Dedinha sentada num dos bancos dos jardins – quase uma Antonieta – para que pudéssemos ver um pouco mais do castelo e arredores.

Passamos, também lá, sede e um calor incomum para setembro (30°C quase todos os dias) e fome até que saíssemos dos portões de Versailles. O único restaurante dentro do complexo é daqueles de vários serviços, carérrimo e que não combina com turistas com dinheiro contado, ou UMA lanchonete, que às 14h não tinha mais um sanduíche para vender. Mas isso foi em 2011, talvez hoje já tenham mudado as coisas por lá. Não há água para vender nas instalações do palácio (só no tal restaurante que não é, também, fácil de achar nas dependências). Leve sua garrafa de água.

A ida a Versailles, em outro município, com minha avó, nos fez cancelar um programa que queríamos muito no dia seguinte: conhecer os Jardins de Monet. Achamos que o passeio, ainda mais distante e sendo no dia seguinte à maratona Versailles, seria muito cansativo para ela.

Todos os dias, quando chegávamos ao hotel, por volta das 20h, só pensávamos em dormir. Meus pés doíam tanto da correria do dia-a-dia, que eu não conseguia pegar no sono. E pensava, “imagina a minha avó”, enquanto fazíamos escalda-pés na banheira para nos preparar para o dia seguinte. Mas ela não desanimava, queria mais e queria conhecer tudo, aproveitar tudo. E assim foi. Nossa viagem durou uma linda semana, que me dará memórias para a minha vida e dos meus filhos, porque pretendo contar a eles e mostrar as fotos da viagem maravilhosa que fiz com minha mãe e minha avó, três gerações encantadas com Paris.

A cara da nossa viagem: Deda descansando e eu olhando o mapa, na Casa de Rodein
Cena típica da viagem em família: avó descansando e neta olhando o mapa

Dicas práticas para viagens internacionais com seus avós

  • Se o ponto turístico para onde vão é longe, em outro município, por exemplo, leve garrafa de água e uns sanduíches ou biscoito. Você pode não achar facilmente água e pode não haver muitas opções de lanchonetes.
  • Aliás, leve sempre sua água. Nos jardins do Louvre, por exemplo, em alguns trechos só há ambulantes. Compre algumas garrafas em lojas de conveniência e carregue com você. É mais barato, inclusive.
  • Saia de casa com os roteiros já programados, inclusive de transporte. Eu já saia com tudo anotado das estações de metrô que teríamos de pegar, baldiar, etc, para não fazer a vó andar mais do que o necessário.
  • Programe paradas ao longo do dia, e sempre calcule mais tempo do que você acha que vai precisar nos roteiros. Assim, você consegue fazer as coisas mais calmamente, afinal, a sua vó não tem o seu ritmo.
  • Se houver a possibilidade, fique dois dias a mais sozinho depois de terem desfrutado a viagem juntas. Gostaria de ter feito isso e tido tempo para fazer passeios só meus, que não faziam muito a cabeça da minha avó. E, como passava o dia fazendo coisas comuns, de noite eu era um trapo e não tinha forças de explorar essas outras atividades.
  • Vá de espírito preparado. Viajar – COM QUALQUER PESSOA – é, em alguns momentos, cansativo e pode sempre rolar certo desgaste de relação. A convivência é muita, as vontades são diferentes… Imagine com alguém de geração diferente. Então, adote o espírito de “faz parte” e divirta-se.
  • Passeios como igrejas e monumentos costumam ser um sucesso com os avós, então dê uma atenção para essas atrações também.
  • Fique atento a oportunistas que percebem que são turistas e querem bater carteiras. Idosos podem ser alvos mais fáceis. Ficávamos muito de olho, principalmente nela, para que nada fosse motivo de susto.
  • Tente fazer conexões com amigos que morem por lá ou pessoas conhecidas, para que você possa sair e fazer programas que curta, em vez dos roteiros em comum. Aliás, procure ter um programa/passeio só seu nos dias em que isso for possível.
  • Tenha grana para o táxi sempre. Sua avó pode cansar e voltar no conforto para o hotel pode ser a saída ou realmente uma necessidade.
marcela e avó em paris viajar com seus avós
Neta, mãe e avó no Arco do Triunfo à esquerda, e Dona Deda feliz da vida posando na Ponte Alexandre III

 

Comentários

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5 comentários

  1. Avatar

    Nossa… eu não sabia que amanhã era dia dos avós, obrigada por isso rs

    E meu, isso de viajar com avós é da hora!
    Minha avó ainda ta cheia de gás.. é uma boa! Vou convidá-la pra ir comigo qualquer dia pra algum lado.. LEGALZÍSSIMO =D

    1. Avatar

      Oi, Kamila! Que legal que gostou do post, leva sua vó pra passear sim e depois conta pra gente como foi! 😀 Ah, e pode dar parabéns pra ela hoje mesmo: o Dia dos Avós é hoje (26/7) – nós postamos esse post ontem! hehe 😉

  2. Avatar

    Em 2007, montamos um grupo na minha família de 18 pessoas, incluindo 6 avós e fomos um feriado para Buenos Aires! Muitos não tinham nem saído do Brasil antes e foi maravilhoso! Além das dicas acima, recomendo tomar cuidado com o seguro-saúde – pq a maioria não cobre maiores de 70 anos!! Contei sobre o roteiro aqui: https://taindopraonde.blogspot.com.br/2013/12/um-feriado-em-familia-em-buenos-aires.html e os perrengues aqui: https://taindopraonde.blogspot.com.br/2013/12/buenos-aires-em-familia-as-historias-de-viagem-o-que-aprendemos-com-elas.html.

    1. Mariana Yusim

      Nossa, Fernanda! Que máximo conseguir juntar tanta gente em uma viagem para fora. E ainda mais 6 avós <3 <3 Deve ter sido inesquecível. 🙂 Legal essa dica do seguro-saúde, eu mesma não sabia disso. Obrigada por compartilhar a dica e sua experiência! Beijão! :**

  3. Avatar

    Mas que amor esse posttttttt!
    Viajar em família é a melhor coisa, porque reserva momentos únicos e especiais ao lado das pessoas que a gente mais ama.
    Espero conseguir fazer um viagem com os meus avós também. Seria incrível.

    Lindas fotos, parabéns.

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