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Blackfish (ou por que você nunca deve ir ao SeaWorld)

Blackfish: Descubra por que você nunca deve ir ao SeaWorld

Shows em que baleias fazem acrobacias na piscina com seus treinadores são tão populares, que o SeaWorld lucra com eles há 50 anos. Tanto que desde seu lançamento, na Califórnia, a rede de parques temáticos se expandiu por diversos estados americanos e se tornou um negócio bilionário. Tudo ia muito bem até que reações inesperadas das orcas passaram a acontecer com cada vez mais frequência, e plateias horrorizadas viram treinadores serem massacrados por esses animais aparentemente tão calmos. Algo que não é recente, mas que em tempos de internet e abundância de câmeras, se tornou impossível de esconder. E agora, o documentário Blackfish vem escancarar de vez o lado cruel desses espetáculos e mostrar o porquê de você não dever, de jeito nenhum, ir ao SeaWorld (ou qualquer outro parque parecido) quando viajar.

Lançado no final de 2013 e dirigido por Gabriela Cowperthwaite, Blackfish conta a história da baleia orca Tilikum, que matou diversas pessoas desde que passou a ser mantida em cativeiro. Para isso, reúne uma grande quantidade de filmagens de espetáculos e dos incidentes trágicos, além de entrevistas com pessoas que estiveram envolvidas com a baleia de alguma forma. Para que o telespectador tenha uma ideia clara do sofrimento dos animais mantidos em cativeiro e da razão de suas reações agressivas, o filme mostra cenas e entrevista os responsáveis pela captura de Tili nos anos 1980, quando o filhote foi retirado à força de seu grupo familiar nos mares da Islândia. A partir daí, remonta a trajetória da baleia, treinada com torturas e castigos físicos, vivendo em péssimas condições em espaços em que mal podia se mexer, isolada de seus pares para não ser agredida e explorada nos espetáculos para entretenimento humano.

Viajadora: Baleia Orca sendo capturada em cena do filme Blackfish
Tilikum sendo capturado na Islândia em 1983, quando ainda era filhote
Viajadora: Baleia Orca ferida no SeaWorld em cena do filme Blackfish
Os ataques e agressões entre as baleias são comuns em cativeiros, por isso Tilikum estava sempre cheio de feridas. Para evitar esses problemas, ele passou a ser mantido isolado dos outros animais
Viajadora: Dawn Brancheau e Baleia Orca Tilikum no SeaWorld em cena do filme Blackfish
Dawn Brancheau e Tilikum, em Dezembro de 2005. Dawn era uma das treinadores mais experientes do SeaWorld, até morrer em um ataque da baleia em fevereiro de 2010, na frente do público, durante uma apresentação.
Viajadora: foto aérea do SeaWorld
Na vista aérea do SeaWorld da Flórida é possível ver que o tamanho do tanque em que Tilikum está é pequeno demais para ele

Ao mesmo tempo em que documenta a desgraça que é a vida de Tilikum, Blackfish mostra a diferença do comportamento dócil das orcas em ambiente selvagem e estudos que indicam que elas têm um sistema emocional e social mais desenvolvido do que o humano. As famílias de baleias ficam juntas por toda a vida e possuem uma comunicação completa, por isso é extremamente doloroso ver as cenas em que, mesmo depois de libertadas das redes no mar, elas permanecem em volta dos filhotes sendo capturados, se comunicando e emitindo sons o tempo inteiro enquanto eles são levados embora. E ainda pior é ouvir o relato de uma ex-treinadora do SeaWorld contando que quando uma das orcas do parque foi separada de seu filhote, ela chorou e emitiu sons mais altos do que o habitual na esperança de que seu bebê pudesse ouvir onde estivesse. E ficou horas boiando imóvel enquanto as outras baleias vinham, de tempos em tempos, checar como ela estava. É impossível não se entristecer com como nós, humanos, permitimos e, pior, financiamos o tratamento dos animais dessa maneira em troca de alguns momentos de diversão que logo serão esquecidos.

Viajadora: grupo de baleias orcas
No ambiente natural, as orcas vivem a vida inteira em famílias de 3 a 30 baleias. Fonte: wwf.ca
Viajadora: baleia orca em cena de Blackfish
Em uma das cenas mais chocantes do filme, uma mãe chora e emite sons muito altos ao ser separada de seu filhote, que seria transportado para outro parque. Foto: Divulgação Blackfish
Viajadora: Tilikum baleia no Sea World da Florida
Tilikum, no SeaWorld da Florida, e sua nadadeira dorsal caída, algo muito comum em machos de cativeiro, mas que raramente acontece nas orcas livres. Foto: Divulgação Blackfish

Sobre o documentário, é interessante ressaltar, também, que os representantes do SeaWorld se recusaram a dar entrevistas ou mesmo se pronunciar, o que por si só já mostra o quanto eles não têm como se defender. Afinal, “contra fatos não há argumentos”, não é mesmo?  Por isso, se você está de viagem marcada para a cidade americana de Orlando, na Florida, onde Tilikum vive agora – e não faz nada além de boiar inerte nos intervalos entre um show e outro -, ou para qualquer outro lugar onde uma visita ao parque temático seja uma das atrações, assista Blackfish e repense o que vai fazer. E que essa preocupação com as condições de vida e as formas de tratamento valha para qualquer viagem em que a interação com a vida selvagem seja um chamariz, como é o caso dos  passeios de elefante na Tailândia e dos safaris na África do Sul, por exemplo, já que muitas vezes acabamos colaborando, mesmo que inconscientemente, com situações que só contribuem para degradar ainda mais os animais.

Sobre o filme Blackfish

Viajadora: Capa do filme BlackfishO documentário foi produzido e dirigido por Gabriela Cowperthwaite, premiado e exibido em diversos festivais. Ele foi lançado em 2013 e pode ser visto no iTunes ou no Netflix (onde nós assistimos).

O site oficial do filme tem muitos artigos, imagens e informações interessantes sobre a história e o desenrolar dos fatos (o SeaWorld está sendo processado na justiça americana), assim como orientações para quem quiser se envolver mais com a causa.

Para quem quiser ler o artigo de 2010 da excelente revista Outside, que inspirou a elaboração do filme, ele está disponível aqui e vale muito a leitura (em inglês).

 

 

 

O trailer, com legendas em português, pode ser visto aqui:

Comentários

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7 comentários

  1. Avatar

    Por isso que nunca gostei da Sea World e do Zoo Lujan na Argentina!!

  2. Avatar

    gostei bastante do site parabens

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    Parabéns pelo texto, bem interessante. Mas tenho uma dúvida em relação a esse trecho “a interação com a vida selvagem seja um chamariz, como é o caso dos passeios de elefante na Tailândia e dos safaris na África do Sul”. É, gostaria de saber o problema dos safaris africanos, pq até então não via problema, tenho até vontade de ir.

  4. Avatar

    Quanto sofrimento esse tipo de coisa deveria ser proibido separar os filhotes da mãe tilicum vítima da crueldade humana..😭😭😭😭😭

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    Assistir o filme blakfich e penso porque o parque não fechou . até hoje tem animais aquáticos tem baleia lá ainda?

    1. Mariana Yusim

      Infelizmente sim, Greyce.. é muito triste pensar no sofrimento deles, né? 🙁

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