Engravidar no Canadá: O que consideramos para decidir

Engravidar no Canadá: O que consideramos para decidir

Como a Mari contou no post sobre as novidades no Viajadora em 2017, eu e Thiago estamos esperando um bebê para fevereiro de 2018 e bem animados com a ideia. Eu nunca fui uma pessoa muito maternal e nem tinha o sooonho de ser mãe que muitas mulheres têm, mas desde que chegamos em Vancouver comecei a pensar na ideia e este ano, depois de muito ponderar, decidimos dar este passo de engravidar no Canadá e adicionar um humaninho à família.

Como muita gente tem curiosidade sobre como é ter um filho no Canadá, quanto custa viver em Vancouver, como é o atendimento médico e que suporte o governo oferece, entre outros detalhes do tipo, resolvi fazer esse post para contar o que a gente levou em consideração para decidir. É algo bastante pessoal, mas com o qual muita gente pode se identificar, afinal, nós imigrantes estamos todos mais ou menos no mesmo barco por aqui! Sendo assim, os fatores que consideramos para decidir engravidar no Canadá foram:

Nossas idades e nosso relacionamento

Eu não acredito muito que existe momento ideal para nada, as coisas acontecem quando têm de acontecer mesmo. Mas, se fosse esperar um momento um pouco “mais ideal”para engravidar, teria esperado mais um ou dois anos, pra dar tempo de a gente se mudar com calma e ajeitar mais a vida para receber o bebê. Mas eu estou com 32 anos e Thiago com 37 (teremos 33 e 38 quando o guri nascer), eu não sabia quanto tempo levaria para conceber (questões minhas de saúde), e quanto mais depois dos 30 mais complicado é para engravidar, então como estávamos em um momento legal e tranquilo do nosso relacionamento, decidimos começar a tentar este ano mesmo. Parei de tomar a pílula e bingo, um mês depois estava grávida!

Nosso status imigratório no Canadá

Eu nunca pensei muito sobre ser mãe, mas se tinha uma coisa que eu tinha certeza era de que não queria ter filho no Brasil, porque não ia ter condições financeiras de pagar escola, plano de saúde, cursos extracurriculares e comprar tudo que a criança precisasse sem precisar baixar drasticamente meu padrão de vida. Por isso, só comecei a pensar nisso aqui, quando nosso processo de residência permanente no Canadá foi aprovado e nossos documentos aceitos, e a gente passou a saber com certeza que não precisaria voltar a morar no Brasil (por razões legais, pelo menos). Fizemos nossa mudança de status para residentes permanentes na fronteira em julho de 2017 e aí pudemos respirar tranquilos com essa questão totalmente resolvida.

Engravidar no Canadá.Nosso status imigratório influenciou muito a nossa decisão.Viajadora

A chegada dos nossos cartões de PR marcou a conclusão do nosso longo processo para virar residentes permanentes… e a conclusão fez a maior diferença na nossa decisão de engravidar no Canadá!

Nossa situação profissional

Eu já estava há mais de um ano trabalhando no meu emprego atual, em uma posição estável e com bons benefícios. Como sou funcionária pública, teria direito a uma cobertura salarial maior durante a licença-maternidade de um ano e a possibilidade de estender por um ano e meio se quisesse, entre outros benefícios. Eu queria aproveitar isso, então agora seria um bom momento. Já o Thiago estava terminando o curso de graduação em Game Programming em setembro e, como é da área de T.I. e já tinha experiência no Brasil, apostamos que arranjaria um emprego rápido quando se formasse (e acertamos: foi contratado três dias depois da conclusão do curso).

Somando os salários de nós dois – o meu e o que contávamos que o Thiago ganharia – daria para alugar um apartamento maior e arcar com as despesas do bebê, como comprar enxoval e seja lá o que mais um bebê precisa (ainda não sei muito sobre isso! haha) sem passar (muito) sufoco.

Nossa rotina e estilo de vida

Quando eu era mais nova era bem mais agitada, mas de uns anos pra cá dei uma boa sossegada, e nós somos um casal bem caseiro. A gente gosta de curtir as coisas da casa, passar tempo em família, passear e mimar a Chica, cozinhar e comer coisas gostosas, ficar de bobeira e dormir cedo. Como somos tranquilos assim, achamos que uma criança seria uma boa adição na nossa dinâmica familiar, já que não nos impediria de fazer muita coisa do que gostamos (mas sim, eu sei, vai atrapalhar dormir, já me falaram mil vezes) e poderia até deixar nossa vida mais divertida e completa.

Engravidar no Canadá.Nosso estilo de vida atual nos fez acreditar que já estava na hora de tomar essa decisão

A gente é caseiro e gosta de tranquilidade e de ficar em contato com a natureza, e nossa vida no Canadá está bem desse jeitinho mesmo no momento!

O fato de que deve ser ótimo ser criança no Canadá

Uma coisa que chamou nossa atenção de cara quando chegamos em Vancouver foi a quantidade de parques e playgrounds para as crianças brincarem. Os parquinhos então, com chão macio e uns brinquedos muuuito legais (em alguns parquinhos tem até tirolesa!), me dão vontade de brincar até hoje! Isso sem falar nos gramados, parques molhados (“splash pads”) e piscinas públicas também: o que não falta são opções de lazer divertidas e seguras para as crianças aqui, e imagino que seja bem mais tranquilo criar alguém em um lugar assim e sem a preocupação com violência que teríamos no Brasil.

Além disso, existem várias outras opções de atividades grátis ou baratas para bebês e crianças nos centros comunitários espalhados pela cidade, além de opções muito legais e gratuitas nos museus e bibliotecas também. Todas essas opções e conveniência foram me fazendo pensar que poderia ser legal e divertido ter um filho por aqui.

Se você gostaria de saber maiis sobre as opções de atividades para crianças em Vancouver, esses sites são interessantes:

Se você quiser saber sobre parques e atividades nas cidades dos arredores de Vancouver, como Burnaby e New Westminster, procure no Google os sites específicos de lá, também existem!

Engravidar no Canadá.Deve ser bom ser criança em Vancouver

Um dos splash pads onde as crianças se divertem no verão. Esse da foto fica na Granville Island, mas existem muitos outros espalhados pela cidade e arredores. Deve ser tão divertido ser criança aqui!

O sistema de saúde canadense

O MSP, sistema de saúde em British Columbia, tem seus problemas, mas no geral funciona direitinho e é bem acessível (cerca de $75 por pessoa/mês). Todas as vezes que precisamos usar – e foram várias – conseguimos resolver nossos problemas sem grandes aborrecimentos. Além disso, tanto o meu trabalho quanto o do Thiago, além de cobrirem os custos do MSP para o funcionário e a família, ainda pagam seguros de saúde adicionais, que oferecem mais serviços que o plano de saúde básico, como oftalmologista, dentista, fisioterapia e até massagem. O plano do meu trabalho é o Pacific Blue Cross, que eu adoro e uso tudo que tenho direito! haha

Com a cobertura suficiente da saúde pública e a cobertura de dois planos de saúde adicionais, apesar de ainda estranhar algumas coisas na forma como os serviços de saúde são oferecidos aqui, senti segurança para engravidar e passar pelo pré-natal e parto por aqui, coisas que eu sentia um pouco de medo antes, por estar em terra estrangeira e longe do meu ambiente familiar. Também me dá sossego saber que o bebê já vai nascer com a garantia do acesso à saúde também, sem nenhum custo adicional para nós.

O suporte que o governo oferece, de forma geral

Além da saúde pública decente e suficiente, os (altos) impostos que a gente paga por aqui também oferecem resultados em várias outras áreas da vida que facilitam ter filho por aqui. Além da escola pública gratuita, acessível e de qualidade desde o jardim de infância até o final do ensino médio – o que por si só já é uma tremenda economia em relação ao que gastaríamos com ensino no Brasil, o governo oferece vários outros benefícios para cidadãos canadenses e residentes permanentes com crianças por aqui, que muitos imigrantes desconhecem. Fiz uma pesquisa e alguns dos principais que descobri e achei bem legais foram:

Licença-maternidade: Se você cumprir certos requisitos (como trabalhar full-time, por exemplo), você é elegível para receber até 12 meses de licença-maternidade (o nome oficial é Employment Insurance) do governo federal canadense. O pagamento básico é de 55% da sua renda média semanal, mas cada empregador pode oferecer benefícios extras também. No meu trabalho, por exemplo, eles cobrem um extra em cima do que o governo paga, então meu salário vai ser de 85% durante a licença, em vez dos 55% básicos. Em troca, eu preciso trabalhar seis meses lá depois que voltar da licença antes de decidir parar de trabalhar ou mudar de emprego… se você quiser sair antes, precisa pagar de volta essa diferença. Cada empregador oferece (ou não) seus próprios benefícios, então vale checar com o seu quais são, mas é importante dar uma olhada nas regras básicas da licença-maternidade oferecida pelo governo federal e provincial (que inclusive pode ser dividida entre a mãe e o pai).

Canada Child Benefit: O governo federal canadense também oferece um programa de suporte que dá uma renda extra para famílias até uma determinada faixa de renda. Os benefícios podem chegar a CAD $6,400 por ano para cada criança abaixo de 6 anos, e CAD $5,400/ano para cada criança entre 6 e 17 anos, variando de acordo com a renda total da família e se a criança tem necessidades especiais. Você pode calcular os benefícios a que teria direito no Child Benefit website, de acordo com o que sua família teve de renda nos anos anteriores e o que pagou de imposto. Parece pouco, mas é uma ajuda e tanto! (Só não vale ganhar esse auxílio e depois ficar por aí aos quatro ventos falando sobre como o Bolsa Família é terrível para o Brasil – como já vi imigrante fazendo aqui – ok, amiguinho? haha)

Registered Education Savings Plan (RESP): Como o ensino secundário (colleges e universidades) não é grátis por aqui – apesar de cidadãos canadenses e  residentes permanentes pagarem bem menos – nós achamos bem importante fazer uma poupança para bancar os estudos do guri no futuro e ele não precisar ficar todo cheio de débito estudantil como vemos os americanos e alguns canadenses fazendo. Pesquisando sobre isso, vi que o governo federal oferece esse plano RESP, que é um tipo de poupança especial que você pode fazer assim que o bebê nasce para bancar os estudos dele no futuro, e o governo cobre até 20% do valor que você deposita, até o máximo de CAD $500 por ano. Além disso, dependendo da renda da família, você também pode ter direito a um auxílio adicional de 10% ou 20% nos primeiros CAD $500 que deposita no RESP a cada ano. Veja mais sobre o RESP e o Canada Education Savings Grant no site oficial.

São vários os benefícios que o governo oferece –retorno do imposto que a gente paga –  então é preciso pesquisar direitinho a quais sua família teria direito. Veja aqui uma visão geral dos benefícios para famílias no Canadá, e também os benefícios extras que cada província oferece. É importante ler tudo e pesquisar direitinho para não dar bobeira e perder nada!

Ah, e antes que eu esqueça, é sempre bom ressaltar: apesar de o ensino público ser gratuito aqui, ele é só para crianças a partir dos 5 anos de idade. A questão dos daycare (creches) aqui no Canadá é complicada, porque são poucas vagas (em downtown Vancouver você tem que botar o bebê na fila de espera assim que nasce, pra conseguir vaga uns dois anos depois) e custam caro (por volta de CAD $800/mês ou mais). Então é preciso levar em consideração onde você vai deixar a criança durante o dia quando ela tiver entre 1 e 5 anos, depois que acabar sua licença-maternidade e caso queira voltar a trabalhar. Nós ainda não pensamos muito nisso porque não gosto de me preocupar antes da hora com problemas inevitáveis, acredito que quando chegar a hora tudo vai se acertar. A princípio tenho planos de trazer meus pais aposentados para morarem aqui e cuidarem do netinho que tanto queriam, mas eles ainda não estão muito de acordo com a ideia! haha

As perspectivas para o futuro

Como já falei em posts anteriores (como este e este), o Canadá não é perfeito: também tem vários defeitos e a gente precisa se adaptar para viver bem aqui, porque tudo é muito diferente do Brasil. Mas a partir do momento que você entende essas diferenças e se adapta (o que inclui não só arranjar emprego, mas principalmente se acostumar com o lugar), dá para viver uma vida bem boa e tranquila, com segurança, estabilidade e muita qualidade de vida. O que eu mais gosto é da abundância de natureza que existe por aqui, e como as pessoas valorizam estar ao ar livre e cuidar do meio ambiente, e este é um dos fatores que mais me levaram a querer ter filho aqui também, porque quero que ele cresça com esses valores. As pessoas são educadas, respeitam umas às outras e se esforçam para viver bem em comunidade, algo que eu sentia muita falta no Brasil, e isso me faz achar que que vai ser mais fácil criar um ser humano decente em um meio assim.

Além das características físicas do país e dos pontos positivos da população, a economia canadense também passa por um momento muito bom, com muitos empregos e em pleno crescimento. Em 2017, aliás, tem sido o país do G7 com maior crescimento (podem pesquisar no Google! Haha) e a tendência é continuar assim. O envelhecimento da população e o crescimento da economia devem gerar boas oportunidades de emprego e investimento no futuro, e tudo isso me deixa com esperança de um futuro um pouco mais tranquilo (apesar do caos generalizado em que o mundo está!) para começar uma família no Canadá. Vamos ver o que terá acontecido com essas previsões daqui a 15 anos, mas no momento é bem isso o que a gente está achando! :)

Engravidar no Canadá.Perspectivas para o futuro.Viajadora

Nós na formatura do Thiago em setembro no Art Institute. A barriga já está aparecendo bem!

***

E você, teve filho ou está planejando aumentar a família no Canadá? O que levou ou vai levar em consideração para decidir? Compartilhe sua história e seu ponto de vista aqui com a gente nos comentários, vamos adorar ler!


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Comentários

8 comments

  1. Karla

    Parabéns!
    Conte mais sobre seu trabalho como funcionária pública, suas funções, como foi pra começar e sobre os benefícios que você tem.
    Obrigada!

  2. Vera Romero

    Adorei o Post e como estou aposentada (e não sou avó porque todos os meus filhos são preguiçosos) posso fazer as vezes de vovó-cuidadora, caso seus pais não topem !
    Sobre não ter nunca sonhado em ser mãe, eu entendo. Eu também nunca tinha nem brincado com bonecas, mas quando eu fiquei grávida,desconfiei que ia gostar da coisa e muito. Eu não estava errada, foi o que fiz de melhor e mais divertido.
    Espero que vocês também tenham uma grata surpresa. Parabéns aos 3. Aos pais e à Francisca, que vai morrer de ciumes, com certeza,
    Felicidades

    1. Thaís Freitas
      Autor
      Thaís Freitas

      Oi Vera!!
      Obrigada, e que legal que gostou do post! Meus pais vão ficar aqui até Junho 2018, depois disso você está convidadíssima para vir pra cá e assumir a vaga de vovó-cuidadora! hahaha
      Beijos!

  3. Kezia

    Ótimo post!!! Adoro o blog ( disse isso a você 😆)
    Depois faz um post sobre seu trabalho, área de atuação e experiência.
    Beijosss

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